Após recomendação do Ministério Público Federal, diante da pressão da sociedade, da mídia tradicional e alternativa, o aborto foi realizado. Mas isso não põe fim ao caso. Quantas mulheres já passaram ou continuam passando por barbárie como esta? Quantas foram ou serão induzidas ou obrigadas a manter uma gestação, mesmo em caso de estupro ou com sua própria vida em risco? Uma juíza e uma promotora de justiça, cuja obrigação deveria ser fazer cumprir a lei, usam uma criança, ou o útero dela, como laboratório genético e a mantém em cárcere privado, para ver por quanto tempo mais ela seguraria a gestação e posteriormente dar o bebê em adoção. O papel delas não seria incentivar a adoção das crianças que já nasceram e estão em abrigos provisórios? A tortura continua quando o presidente da república que acha que o aborto de uma criança estuprada é caso para ser investigado pelo Ministério da Justiça e o Ministério das Mulheres e Família. Sexta-feira é dia de continuar na luta pois essa foi apenas mais uma batalha.
A descriminalização do aborto por estupro foi introduzida no Código Penal há 80 anos. A Lei 8.072/90, art.10.VI, faz 32 anos, considera a prática de estupro de vulnerável em todas as suas formas um crime hediondo. Mas Jair Bolsonaro que na pandemia pouco se importava com as mortes ("não sou coveiro", "todo mundo morre um dia", "sou messias mas não faço milagre"), ontem (23/06) se posicionou na defesa de um feto fruto de um estupro numa menina de 10 anos e determinou investigação sobre o caso. Triste fala de uma pessoa que tem uma filha (uma fraquejada como ele gosta de afirmar) em idade parecida com a menina catarinense.
O aborto foi realizado em um hospital com todos os cuidados devidos para que a vida e saúde da gestante fosse preservadas e evitassem traumas e sofrimentos maiores do que já sofrera. Sobre a infante, Bolsonaro não manifestou qualquer solidariedade; não demonstrou humanidade a uma criança estuprada e obrigada a gerar, sem ao menos saber o que estava acontecendo, o filho de um estuprador, para esse homem um aborto legal é crime, o estupro não.
Hoje, às 17 horas, um ato acontecerá no TICEN - Terminal de Integração do Centro da cidade, em Florianópolis, contra a cultura do estupro e em defesa da vida das mulheres e crianças, afinal de contas, criança não é mãe e estuprador não é pai. Todas, todos e todes são convocados para participar neste momento e continuar na luta contra a cultura do estupro e em defesa das mulheres e meninas principalmente


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