quinta-feira, 23 de junho de 2022

64% de aumento na tarifa e a privatização da Eletrobrás

                    A privatização da Eletrobrás não é à toa. O informe publicado terça-feira (21/06) de que o aumento de até 64% na cobrança extra da conta de luz aprovada pela ANEEL é só mais uma etapa no formato implementado por esse governo entreguista de Jair Bolsonaro. Produção de energia e segurança energética são questões de soberania e é isto que estamos entregando ao vender a maior empresa de energia elétrica da América Latina.



          Como se observa no gráfico construído pelo G1 e que terá início de cobrança já a partir do mês de julho os aumentos serão variáveis. A bandeira verde não terá adicional, a amarela subirá 59,5%, a vermelha patamar 1 um aumento de 63,7% e a vermelha patamar 2 um aumento de 3,2%. As bandeiras variam de acordo com o volume dos reservatórios das hidroelétricas e geralmente no período de seca é que as tarifas mais caras são implementadas por conta do acionamento das termoelétricas.

         A economista Janete Ely, compartilha da opinião de que a privatização do sistema elétrico brasileiro, o maior da América Latina, é um crime contra o Estado Brasileiro. “A energia é um setor estratégico não somente pela geração, pela distribuição e consumo, mas sobretudo pela sua importância nas pesquisas para o desenvolvimento mais equitativo de um país caracterizado por diversidades e desigualdades regionais. O que nos garante que as empresas privadas terão como objetivo o fornecimento de energia e construção de redes elétricas para estes rincões espalhados por todo o Brasil?”


 

          As informações mostram que a venda da Eletrobrás traria R$ 33,7 bilhões agora, mais outros R$ 30 bilhões que, em teoria viriam futuramente para os brasileiros, verdadeiros donos da empresa. Contudo, como se observam nos informes publicados, os primeiros R$ 32 bilhões virão apenas ao longo dos próximos 25 anos, sendo R$ 5 bilhões no próximo ano, e o restante (menos de um bilhão ao ano) até se encerrar este período. Destes R$ 32 bilhões, grande parte vai ser para subsidiar a energia a fim de atenuar os reajustes que virão com a privatização e subsidiar políticas setoriais, ou seja, vende a Eletrobrás para poder ter um desconto sobre um aumento que virá nas contas dos próximos 5 anos.

          Outros R$ 9,7 bilhões serão aplicadas nos próximos 10 anos (menos de um bilhão ao ano), para restauração de bacias hidrográficas. Ou seja, o governo vai investir o dinheiro para garantir a produção de mais água para as empresas hidroelétricas que ganham vendendo a energia que é gerada pela força das águas. Na verdade, o caixa do governo irá investir quase R$ 10 bilhões para garantir aos mananciais a água para as hidroelétricas que irão faturar com isso.

          Apenas R$ 25,3 bilhões deste total de R$ 63,7 (ou seja, 39,7%) é que irão para o caixa da União para renovação da outorga das 22 usinas hidroelétricas, ou seja, cada usina foi vendida por apenas R$ 1 bilhão.

           A tendência é o preço da energia elétrica subir de forma exorbitante daqui 5 anos, prazo em que a União consumirá os R$ 5 bilhões pra reduzir o preço da energia. Em 2020 a Eletrobrás teve receita operacional líquida de R$ 29,08 bilhões e lucro líquido de R$ 6,34 bilhões. Desta forma se observa que apenas o lucro de 10 anos da empresa foram o preço pelo qual ela foi efetivamente vendida, ou melhor, dada aos novos proprietários. A receita de pouco mais de dois anos da empresa foi o valor total pela qual ela foi vendida, na verdade, entregue.

          Noutra vertente e também a fim de criar uma ideia fantasiosa sobre lucros infinitos, o site Moneytimes faz um questionamento capicioso sobre se "vale a pena investir na Eletrobrás" agora que ela foi privatizada? E para isso ela aponta os fundos de investimento com a privatização de várias áreas e empresas como a Vale do Rio Doce, e parte da Petrobrás privatizadas na era FHC. No site é dito que o processo de privatização, como o ocorrido na Vale e Petrobrás, permitiram ganhos de investimento de até 3.206%. Veja o que eles falam:

 

"Rendimentos que vão de 1.359% até absurdos 3.206%. Ou seja, uma multiplicação de mais de 33x no dinheiro investido, transformando cada R$ 10 mil em mais de R$ 330 mil.
Com certeza uma quantia que faria diferença na vida de muitos brasileiros.
E 3.200% é apenas o retorno do fundo mais rentável, mas vários outros também proporcionaram uma verdadeira construção de riqueza."

Esses dados são apresentados nas seguintes tabelas:

Fonte: https://www.moneytimes.com.br/

Fonte: https://www.moneytimes.com.br/

          No mundo de exploração capitalista em que o rentismo econômico virou sinônimo de dinheiro fácil, isso pode chamar a atenção dos leigos no assunto. Contudo, para quem trabalha neste setor e vive da exploração do trabalho alheio e das riquezas usurpadas, o dinheiro não teria fim, seria como um "sistema de pirâmide infinito", onde basta aplicar-se R$ 100,00 e as pessoas teriam retorno de R$ 3.300,00. Efetivamente um dado absurdo a fim de querer fazer valer sua leitura de sociedade excludente.

         Para Janete, a privatização do sistema elétrico brasileiro além de não trazer benefícios para o Estado Brasileiro, que deixará de ter parte dos lucros da empresa para reinvestir em setores sociais que mais precisam, e tão pouco para a população que poderá pagar mais caro pela energia elétrica, como afirma o próprio governo.

         “Ou seja, é pior do que trocar 6 por meia dúzia. Já que o investimento público no novo sistema, será feito para as empresas privadas, que além de não gerarem concorrência em um sistema que se interliga nacionalmente,  tão pouco deixará a tarifa menor.  Esse é o legado deixado pelo atual desgoverno  de Bolsonaro que precisará ser revertido, caso considerarmos que queiramos um Brasil justo, soberano e desenvolvido” 


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