quinta-feira, 30 de junho de 2022

PCdoBFloripa entrevista CÉSAR VALDUGA - 1ª PARTE

Imagem Agência Alesc


O PCdoBFloripa começa agora uma série de entrevistas com os nossos pré-candidatos ao pleito de 2022. Com os nomes de Angela Albino, Giovana Mondardo e César Valduga colocados à disposição do partido, a hora é de irmos dialogando e conversando com estes nossos queridos e queridas camaradas. A primeira conversa se da com alguém que tem muita história, e respeitando a idade a conversa inicial é com um dos camaradas mais queridos de Santa Catarina e que muito já fez e que muito fará pelo povo de Santa Catarina. A conversa de hoje é com César Valduga, pré-candidato a Deputado Estadual, morador de Chapecó, atualmente vereador da cidade e que também já foi Deputado na ALESC não faz muito tempo. Esperamos que os amigos e amigas curtam a entrevista que tem todo aquele jeitão do Valduga, um amigo para todas as horas que nunca se cansa em ajudar e como o moço gosta de prosear, tivemos que dividir ela em duas etapas para poder caber aqui neste blog. A segunda parte vem em breve. Aproveitem, curtam e comentem.

 PCdoBFloripa: Valduga, a gente sabe que você hoje vive em Chapecó e adora morar nesta cidade que é a capital do oeste catarinense, mas a tua infância e o teu local de nascimento é Capinzal, mais pro meio-oeste né? Poderias falar um pouco de Capinzal e como ele influencia até hoje a tua vida?

VALDUGA: Com certeza. Na verdade, minhas raízes são na Barra do Leão, distrito de Campos Novos, onde eu nasci. Uma região de imigrantes italianos, formada por pessoas maravilhosas e trabalhadoras, com a cultura voltada para a agricultura familiar. Meu pai, João Valduga Neto era sapateiro, músico e agricultor e minha mãe, Lair Barcarollo Valduga era professora. Tenho memória da estrada de ferro que passava por lá e colaborava com o desenvolvimento da região. Mais tarde, precisei sair dali para continuar os estudos, aí com dezesseis anos, me mudei para o município de Ouro, coladinho em Capinzal, na pensão da Dona Otília, no bico da ponte Pênsil, que divide Capinzal de Ouro. Em 07/07/1977 comecei a trabalhar em uma ferragem, para me manter estudando. Foi aí que aprendi o valor do trabalho, a necessidade de interagir com todos os setores da sociedade, algo que me guia até hoje.    


PCdoBFloripa: Então o teu pai tocava um instrumento musical e você gostava de cantar. Essa voz então não é à toa?

VALDUGA: (Risos). Meu pai, seu João Valduga Neto, era um dos gaiteiros mais famosos da região naquela época, também dava aula. Era bastante conhecido nos bailes, tocando uma sanfona 120 baixos, 7 registros da marca Todeschini, lembro até hoje. Desde pequeno eu o acompanhava nos bailes e matinês. Minha mãe se aposentou como professora, ainda lembram muito do seu jeito simples de ensinar lá na região. Mais tarde, já em Chapecó fiz parte do coral italiano chamado Fratelli e do grupo litúrgico da Igreja do Bairro São Cristóvão, por saber cantar e tocar violão, o que aprendi com meu pai, e foi algo que me ajudou a me adaptar e integrar à cultura de uma cidade tão grande, como Chapecó.  


PCdoBFloripa: E essa mudança para Chapecó? Eu conheço Capinzal e é uma cidade bem menor hoje em dia que Chapecó, essa diferença pesou?

VALDUGA: Antes ainda de eu vir para Chapecó, eu ingressei na carreira bancária em 10/03/1982, no Banco Bradesco em Capinzal. Ainda me lembro do código funcional n° 2329298. Aí, fui promovido para trabalhar em Caibi, também uma cidade pequena, mais pro extremo-oeste do estado, como subgerente da agência, alcançando muito êxito na região. Passei por outras cidades onde fiz muitas amizades e companheiros para a vida toda, São Carlos, Maravilha, Tangará, culminando em Chapecó, um dos maiores desafios da minha carreira bancária. O primeiro impacto foi, além da diferença do tamanho da cidade, a complexidade dos serviços que oferecíamos, por conta da demanda das grandes agroindústrias que são uma grande potência econômica de Chapecó para o Brasil inteiro. Outra diferença que pude observar, e que pesou na minha mente, foi a desigualdade. Nas cidades menores em que eu havia morado isso não era tão visível. Agora, em Chapecó eu pude perceber o que eram as periferias dos grandes centros urbanos, falta de saneamento básico, casas simples de madeira em péssimas condições. Me assustou o fato de em uma cidade tão desenvolvida, com uma economia tão pujante haver tanta desigualdade. Era preciso fazer alguma coisa sobre isso. 



PCdoBFloripa: Fala um pouco sobre esse Projeto Verde Vida. O que é isso? Dá para espalhar pelo estado todo?

VALDUGA: Então, depois de observar toda essa desigualdade nós formamos um coletivo juntamente com 72 entidades beneficentes e movimentos sociais e encampamos o projeto do Comitê de Combate à Fome em Chapecó. Foi ali que começou a minha participação nos movimentos sociais e sindicais. Este Comitê teve o grande apoio do bispo católico, já falecido, Dom José Gomes. Nos trabalhos do Comitê percebemos que um dos grandes problemas que gerava a fome e a miséria era o desemprego. Naquela época havia o lixão de Chapecó, que era um problema ambiental muito grande, por conta da incineração de resíduos, a fumaça e o mau cheiro. Então o Comitê seguiu para uma segunda fase, em que idealizamos o Projeto Verde Vida, um projeto socioeducativo e ambiental que buscava casar a preparação educacional e profissional de jovens adolescentes com o cuidado com o meio-ambiente. Naquela época havia muitos jovens nas ruas, envolvidos com a criminalidade e a dependência química, principalmente na região do Bairro São Pedro, que historicamente foi um local para onde o “desenvolvimento” da cidade relegou às pessoas em vulnerabilidade social, após o ciclo da madeira, o que gerava muita discriminação e preconceito com as pessoas que ali moravam. Foi ali o local que escolhemos construir o Verde Vida, onde, com uma equipe multidisciplinar, são realizadas atividades pedagógicas com adolescentes entre os 14 e 17 anos, preparação para o mercado de trabalho, com cursos profissionalizantes e acompanhamento da assistência social. Deu tão certo o Projeto que passou-se a envolver as famílias dos adolescentes, se envolvendo na reciclagem, como agentes ambientais, fazendo a coleta e venda de resíduos recicláveis para a incrementação da renda familiar. Este nosso trabalho virou referência nacional e internacional, fomos premiados pela Unicef, pelo Ibovespa. Este trabalho foi feito por muitas mãos, movimentos sociais, sindicatos, profissionais voluntários… eu era o representante do Sindicato dos Bancários, como coordenador do Projeto. Agora, sem dúvida, o Projeto Verde Vida, já se espalhou por muitos lugares de Santa Catarina e do Brasil, através de visitas, palestras e demais iniciativas que realizamos, por meio de muitas parcerias e trabalho voluntário. As pessoas perceberam no Verde Vida uma alternativa para o combate à fome e gerar emprego, contribuindo com a sustentabilidade e o ecossistema. O lixo, com o Verde Vida, se tornou uma moeda social.


PCdoBFloripa: O teu contato com o partido foi por onde? Por qual mão você chegou ao PCdoB?

VALDUGA: Bom, a luta no movimento sindical e o envolvimento com o Verde Vida acabou despertando em mim a necessidade de fazer mais, de contribuir com a transformação da realidade. Foi aí, que fui convidado a me filiar no PCdoB pelo camarada Giovani Deitos, algo que pra mim, fez todo o sentido e encaixou direitinho com a vocação que eu percebi que tinha, com a vontade de construir uma sociedade em que todo mundo possa ser feliz, em que todos possam ter educação de qualidade, isso eu vi no PCdoB. Lá no Sindicato dos Bancários já havia o camarada Alzumir Rossari que era do Partido, mas não foi ele quem me chamou, mas acredito que, provavelmente, tenha sido a pedido dele que me convidaram (Risos). 

Imagem Agência ALESC


PCdoBFloripa: Como é participar de um partido Comunista? Como é ser classista na nossa sociedade?

VALDUGA: Ser comunista é algo ainda, infelizmente, mal compreendido pela sociedade. Isso precisa mudar. Precisamos ter espaço na política para todos que pensam diferente, dentro dos marcos da democracia. Tudo o que é extremo é prejudicial, ser comunista não é ser extremo, mas sim radical, ou seja, chegar até a raiz dos problemas pra saber como solucioná-los. Minha vida toda de militância política foi no PCdoB por conta disso. Isso já faz 29 anos. Ser do PCdoB é de uma diferença muito grande, porque honramos nossa história, temos uma biografia exemplar, não precisamos mudar de “letrinha” pra esconder nosso passado. Ser do PCdoB é ser de luta, é perseguir incansavelmente a igualdade social, é defender a força do trabalho, da classe trabalhadora do campo e da cidade. Já está no próprio símbolo do partido, a foice e o martelo (Risos). É perceber que poucos têm muito e a maioria passa necessidades, é fazer o contraponto ao capitalismo selvagem que não pensa na coletividade. Por isso temos que defender as Universidades Públicas e de qualidade, que o agricultor possa ter um pedaço de terra, que as pessoas tenham moradia e prosperidade. Hoje o Brasil tem 33 milhões de pessoas passando fome, fazendo fila para comprar ossos nos mercados, os agricultores estão com dificuldade de produzir por conta do preços dos insumos, há um desequilíbrio econômico absurdo. Este projeto econômico neoliberal que está aí já mostrou que não dá certo, que só piora a vida da população. Por isso precisamos da alternativa que o PCdoB representa.

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