A violência contra as mulheres que já não era pouca, aumentou muito durante a pandemia. Durante o confinamento a violência doméstica contra mulheres e meninas se intensificaram, uma vez que estas ficaram mais vulneráveis, pelo fato de não poderem sair de casa, ter que dar conta da família, afazeres do lar, educação dos filhos, trabalho virtual (tendo muitas perdido sua fonte de renda, em especial as que não tinham trabalho com vínculo empregatício). Além de aumentar o stress, elas se viram diuturnamente na companhia de seus algozes impedidas de sair para denunciá-los ou fazer por telefone. Vimos na mídia que mulheres ligavam pras delegacias fingindo estar pedindo uma pizza.
Nestes momentos a perspicácia e agilidade de quem está do outro lado da linha é fundamental e pode salvar vidas. Em Santa Catarina desde 28 de abril é possível solicitar medida protetiva de urgência ou registrar boletim de ocorrências através da Delegacia Virtual. No endereço eletrônico: https://delegaciavirtual.sc.gov.br existe a opção "violência doméstica" onde se deve fazer o registro e/ou pedido. Esta ferramenta pode impedir o agravamento da violência e evitar um feminicídeo.
Se por um lado mulheres sofrem violência dentro de suas próprias casas, por outro existem as que sofrem nos seus locais de trabalho, que são as chamadas violências institucionais de gênero. Onde a mulher é menosprezada, desqualificada, inferiorizada, tornando-se muitas vezes invisíveis pelo simples fato de ser mulher. Recebem salário menor que os homens para exercerem as mesmas tarefas; são preteridas em caso de chefia, mesmo tendo mais qualificação e capacidade que os trabalhadores do sexo masculino.
Na política também acontece violência, abuso, ofensas quanto a honra, assédio moral e sexual, violência psicológica, que muitas vezes nos impede de exercermos nossa cidadania. Um exemplo, bem recente, foi no último sábado, dia 25 de junho quando o atual presidente da República e pré-candidato a reeleição, na cidade de Balneário Camboriú/SC, praticou ato de violência política contra a atual vice governadora do Estado, afastando-a do aceno aos apoiadores, para que aparecesse somente homens: "fica pra trás, meu deus do céu"! Além de violenta, a situação foi constrangedora, deselegante e reprovável para alguém que tem pretensões de se reeleger num país onde 53% do eleitorado é representado mulheres e que a próprio nós denomina de "franqueadas".

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